Deputado Natalino Lázare afirma que este déficit é uma preocupação constante e precisa ser solucinado

A Comissão de Agricultura e Política Rural da Assembleia Legislativa, presidida pelo deputado Natalino Lázare, recebeu representantes da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab/SC), da Secretaria de Estado da Agricultura e da Pesca e da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri). Na reunião desta quarta, 22, foi debatido sobre estimativa da safra de verão 2017/18 dos principais grãos de Santa Catarina, com atenção especial para o milho.

Tanto a Epagri quanto a Conab afirmaram que a safra de verão para produção de milho deste ano terá redução de 12,4% em área e de 4,7% na produção da próxima colheita. Os fatores que contribuíram para a redução do plantio do grão foram o baixo nível de preços na atual safra, a elevação do custo de produção e a opção pelo plantio de soja que apresenta melhores preços, foram os principais responsáveis por essa queda, de acordo com técnicos.

O deputado Natalino afirma que este déficit é uma preocupação constante da Comissão da Agricultura. “Produzimos cerca de 3 milhões de toneladas de milho e consumimos cerca de 6 milhões de toneladas. Infelizmente há altos e baixos no mercado e não existe hoje uma política pública definida e uma sintonia entre produção e consumo e nós precisamos corrigir isto. Precisamos dar segurança a quem produz, com um preço mínimo razoável, e precisamos dar segurança também a agroindústria para que possa competir no mercado nacional e internacional”, aponta Natalino.

O secretário-adjunto da Secretaria da Agricultura, Airton Spies, explica que uma das saídas é aumentar a produção. “O aumento se dá por dois caminhos, o primeiro com tecnologia de ponta, ou seja, produzir mais com a mesma área que já temos, e outra alternativa é conquistar mais área plantada, porém depende dos índices de mercado. Temos a necessidade de aumentar a armazenagem no Estado para reter o milho produzido em Santa Catarina e também trazer o grão de fora quando o preço estiver mais barato para estocá-lo aqui para se ter uma garantia”, ressalta.

ALTERNATIVAS

Spies destaca também a necessidade de investimentos em logística de transporte do milho. “A ferrovia é nosso sonho em longo prazo. Mas no curto prazo estamos buscando viabilizar a entrada de milho do Paraguai, que é o milho mais próximo que nós temos, a 400 quilômetros do Oeste catarinense, vindo pela Argentina. Existe também a possibilidade de diversificação dos grãos usados na alimentação de animais, como por exemplo, melhorar a produtividade do trigo e cevada no inverno.

O secretário-adjunto completa ainda dizendo que o abastecimento de grãos para a produção de proteína animal é um problema chave da nossa economia porque 60% do PIB agropecuário catarinense estão relacionados à produção de aves, suínos e leite. “Por isso nós temos que trabalhar para manter o equilíbrio da oferta de grãos que hoje nos temos um déficit de 50%”, conclui Spies.

Para a superintendente regional da Conab/SC, Maria de Loudes Nienkoetter, a redução de área plantada se reflete também no Rio Grande do Sul e no Paraná. “Estamos preocupados, sobretudo com a questão do abastecimento. Nosso estoque de passagem deve ficar na média de 42 mil toneladas para o balcão em Santa Catarina. No momento, as demandas dos pequenos produtores são praticamente insignificantes para a Conab, pois a oferta do produtor ainda é vantajosa pelo Programa Venda Balcão”, explica a Conab.

A superintendente ressalta que a Conab deseja manter este estoque para o próximo exercício, entretanto, alerta que haverá a necessidade de um reforço nos estoques para poder atender com garantia e segurança pelo programa federal. “Temos 40 mil toneladas internadas e mais uma demanda de 40 mil toneladas a serem removidas do Centro-Oeste do país com destino a Santa Catarina, sobretudo no segundo semestre de 2018, quando poderá haver uma procura maior pelo grão”,destaca.

comissao-da-agricultura-foto-vitor-shimomura-agencia-al

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